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Votos de Ano-Novo: a paz com os 'mané'

“Porque eu sou do tamanho do que vejo. E não do tamanho da minha altura…” Alberto Caeiro, no poema “O Guardador de Rebanhos”

por

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay

28 de dezembro de 2023

IG

O advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o KakayReprodução

No final de ano, é quase obrigatório ter aquela lista de promessas que não serão cumpridas, mas que fazem um bem danado mantê-las. A lista, quase sempre, começa por emagrecer e beber menos. A época já não ajuda; o ideal é passar os itens para a quaresma. Mas, no quesito “boas intenções”, tem um que ganha destaque neste momento brasileiro: empenhar-se para voltar a ter uma convivência harmônica com aqueles familiares e quase ex-amigos bolsominions, mesmo os que ainda batem continência para pneus, acreditam que a terra é plana e que as vacinas transformam as pessoas em jacarés. Depois de um ano de normalidade democrática, o melhor é não jogar certas verdades assim, de cara, quando do reinício da convivência.

Paulo Guedes, o posto Ipiranga do bolsonarismo, disse, quando da vitória do Lula, que “em 6 meses o Brasil se transformaria em uma Venezuela e em 1 ano seríamos uma Argentina”. Sem contar a absoluta falta de tato diplomático, vindo de uma alta autoridade — ainda que bolsonarista, o cargo deve ser respeitado —, a verdade é que o Brasil melhorou praticamente todos os seus índices e passou a ser a 9ª economia do mundo, além da possibilidade real de voltar a ter grau de investimentos. Resta muito o que fazer, mas estamos no caminho certo. 

Em 2014, o governo petista tirou o Brasil do Mapa da Fome da ONU, porém o governo Bolsonaro chegou e investiu, com força, na miséria, na desigualdade, privilegiando uma visão obscurantista do que é governar. Ora, governar é escolher prioridades e um governo que incentiva a barbárie e destrói todos os parâmetros civilizatórios só poderia levar o país ao caos. 

Com a vitória da democracia nas urnas, o brasileiro passa por um momento de extrema delicadeza. A convivência com os bárbaros dividiu muito o país. Ficou evidente a dificuldade de se relacionar com um grupo absolutamente fanático, sem argumentos que não a histeria, sem nenhum viés intelectual e profundamente ignorante, machista, misógino, racista. Não devemos dizer isso agora a eles; dificultaria o retorno da convivência pacífica. Escrever pode, pois eles não têm o hábito da leitura. Salvo seus grupos incensados pelas fakenews, eles não detêm, em regra, capacidade de abstração para enfrentar um livro ou mesmo um artigo. Por isso, a proposta deles era abrir clubes de tiro e fechar bibliotecas. O expoente paulista do grupo decidiu, como governador de São Paulo, não aderir ao material didático e pedagógico do Ministério da Educação e abriu mão de 10 milhões de livros para os alunos do ensino fundamental. É o método bolsonarista de ser.

Não é por acaso que a imprensa noticia, no mesmo dia, que as vacinas incineradas pela inépcia do governo negacionista do Bolsonaro deram um prejuízo de 1,4 bilhão de reais aos cofres públicos. Mais de 39 milhões de doses venceram, sem serem utilizadas. O prejuízo, segundo especialistas, tem que ser computado à irresponsabilidade do governo de Jair Bolsonaro, que demorou para decidir comprar e distribuir vacinas contra a Covid-19. E ainda promoveu cerrada campanha de desinformação. Por outro lado, recebemos a notícia alvissareira de que o governo Lula e o Instituto Butantan fecharam um acordo de 386 milhões de reais com vistas a construir fábricas de vacinas de RNA e soros liofilizados. É importante ressaltar que esses recursos provêm do PAC, do BNDES e da Finep. É a volta do investimento na saúde e na ciência.

Enfim, é o Brasil voltando a ser respeitado internacionalmente e priorizando reencontrar o caminho para um país mais igual, mais solidário e mais justo. Devemos fazer essa volta sem soberba, mas com determinação. Se formos provocados, sejamos naturalmente leves, sem usar ironia, pois esta requer certa sofisticação e eles teriam dificuldade em entender. No máximo, sigam o Presidente do Supremo Tribunal e digam: “Perdeu, Mané!”

Reporto-me ao genial Mário Quintana:

“Todos estes que aí estão Atravancando o meu caminho, Eles passarão. Eu passarinho.” 

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay

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