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Minimizar a dor

Relatório denuncia o sofrimento de animais desde a criação até o abate

por

Luiz André Ferreira

31 de dezembro de 2023

IG

Cortes suínos são destaques nas mesas de Natal e RéveillonDivulgação

Ao lado do bacalhau, o pernil, o leitão e outros cortes suínos são destaques no tradicional cardápio das celebrações de Natal e Réveillon. Contudo, a que custo essa iguaria chega às mesas dos consumidores?Quais são os sacrifícios a que são submetidos esses animais durante o processo de criação e abate? 

Segundo denúncias frequentes de organizações de proteção animal, existe ainda muito a ser implementado para melhorar o processo produtivo de forma a minimizar o sofrimento não apenas dos suínos, mas praticamente em todos os tipos de criação animal. O quadro se torna ainda mais significativo, uma vez que o Brasil, além de ser um grande consumidor de carne e ovos, figura como um dos principais exportadores.

As empresas alimentícias e pecuaristas perdem números consideráveis de compradores que aderem aos movimentos veganos e vegetarianos. É grande a concorrência entre as que atuam neste segmento para fidelizarem os que mantém uma dieta carnívora.  Neste cenário ganha ainda mais relevância a segunda edição do relatório “Porcos em Foco: Monitor da Indústria Suína Brasileira”, que aponta um maior comprometimento na intenção de adoção de medidas mitigadoras e promessas de alterações no processo em relação a primeira pesquisa. Essa maior adesão é impulsionada pelas pesquisas que apontam a insatisfação do consumidor com o atual modelo. Entre alas a realizada em 2021 pelo Instituto Datafolha e a Organização Fórum Animal em que revela que 88% dos brasileiros se preocupam com o bem-estar animal na produção de alimentos. Sete das nove empresas analisadas apresentaram alterações em suas práticas. Entre os principais avanços observados nesta segunda edição estão os compromissos da BRF e da JBS, as duas maiores produtoras, em abolir o uso contínuo de gaiolas de gestação e migrar para o sistema de gestação coletiva em novas unidades menos penosas a serem implantadas até 2026.

Liberdade: o Fim das Gaiolas

A comparação entre as duas edições evidencia ainda a movimentação do setor, anteriormente criticado por falta de sensibilidade e que agora mostra-se mais preocupado com sua posição no ranking das empresas mais responsáveis. Apesar disso, defensores dos direitos animais afirmam que ainda há um longo caminho a percorrer, com a necessidade de adotar muitas outras medidas para minimizar o sofrimento no processo de criação e abate. “Gaiolas de Gestação são uma prática controversa, banida no Reino Unido e em diversos países, devido ao intenso sofrimento físico e psicológico que causa aos animais. É um confinamento extremo, onde as porcas prenhas são mantidas isoladas por semanas em um espaço pouco maior do que seus próprios corpos — impedindo esses animais inteligentes e sociais de caminhar ou sequer se virar”, explica Cristina Diniz, diretora do braço brasileiro da Sinergia Animal Brasil, uma organização internacional dedicada a diminuir o sofrimento animal.

Alimentar a Dor

O recém-divulgado relatório destaca o comportamento das nove principais indústrias do país, classificando as práticas mais adequadas, as mais dolorosas com a implantação de programa de redução do sofrimento de suas criações. A proposta inclui compromissos públicos sobre o confinamento na criação, e a eliminação de procedimentos dolorosos. Entre eles, a castração a sangue frio.

Outro ponto de destaque no relatório “Porcos em Foco” é o corte de cauda de leitões, ainda amplamente praticado. A Sinergia Animal Brasil estima que milhões desses mamíferos são submetidos à amputação sem anestesia ou analgesia, que são drogas utilizadas para aliviar ou minimizar a dor. Uso indiscriminado de antibióticos 

Entre as batalhas está o abandono da prática de administrar antibióticos de forma indiscriminada entre os animais, mesmo quando não apresentam doenças. Nesse cenário, também a saúde humana fica comprometida. Segmentos científicos apontam riscos associados à presença desses medicamentos entranhados na carne consumida.

 Muitos especialistas indicam uma possível relação entre o consumo desse alimento contendo antibióticos acumulados e diversas doenças, incluindo as digestivas e certos tipos de cânceres. Isso sem mencionar a ingestão indireta dessas drogas pode ser um dos fatores contribuintes para a resistência que os humanos vêm apresentando ao tratamento com esses medicamentos, tornando-os cada vez menos eficazes.

“Este é um problema que não afeta apenas os animais, mas também ameaça a saúde humana. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso de antibióticos em animais saudáveis na pecuária é uma das principais causas da resistência antimicrobiana, podendo resultar em até 10 milhões de mortes por ano até 2050. Esperamos que o setor da suinocultura reconheça a urgência desse problema e avance com políticas em 2024 que proíbam o uso indevido de antibióticos”, destaca Diniz.

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