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AM: casal confessa ocultação de cadáver de venezuelana, diz Polícia

Suspeitos apresentaram versões conflitantes sobre a morte da artista Julieta Inés Hernández Martínez

por

Rafael Nascimento

8 de janeiro de 2024

IG

A artista venezuelana Julieta Inés Hernández Martínez, rodava o país de bicicletaReprodução/Instagram 07.01.2023

O casal preso por suspeita de assassinar a artista circense venezuelana Julieta Inés Hernández Martínez, de 38 anos, confessou a ocultação do cadáver da vítima, de acordo com o boletim de ocorrência do caso. As informações são a Folha de S. Paulo.

O auxiliar de serviços gerais Thiago Agles da Silva, 31, e a autônoma Deliomara dos Anjos Santos, 29, foram presos no sábado (6) por suspeita de participação no crime. Ambos ainda não têm advogado de defesa.

Ainda segundo o boletim de ocorrência, durante os depoimentos eles trocaram acusações sobre a autoria do crime e deram versões conflitantes sobre as circunstâncias do assassinato.

O corpo da artista foi encontrado na sexta-feira (5), enterrado em uma área de mata na cidade de Presidente Figueiredo, a 117 km de Manaus, a capital do Amazonas.

Julieta vivia no Brasil desde 2015, integrava o grupo de cicloviajantes “Pé Vermei” e se apresentava com a personagem Palhaça Jujuba. Ela viajava do Rio de Janeiro até a Venezuela, seu país natal, de bicicleta, quando desapareceu no dia 23 de dezembro do ano passado.

No depoimento o casal confirmou que Julieta pernoitou na sede do Espaço Cultural Mestre Gato, uma residência que é usada como uma espécie de ponto de apoio para viajantes e andarilhos que transitam pela rodovia BR-174.

Thiago e Deliomara afirmaram que vivem de favor no local, com o consetimento do dono, e que cobram R$ 10 de diária para viajantes que se hospedam na área externa da casa, onde o casal dorme em redes. Eles disseram ainda que Julieta teria procurado abrigo no local em 21 de dezembro.

Depoimentos conflitantes

Deliomara afirmou no depoimento à Polícia que Thiago estava sob efeito de álcool de crack e propôs que ambos roubassem o celular de Julieta, que dormia na área externa da casa.

A suspeita disse que o companheiro pegou uma faca, seguiu até a rede onde estava Julieta, a ameaçou, a enforcou e a arrastou para dentro da casa. Com a vítima desacordada, ele ordenou à companheira que amarrasse as mãos e os pés de Julieta e ela teria obedecido, conforme declarou no depoimento.

Após a artista acordar, Thiago teria abusado sexualmente de Juliea. Ao avistar o marido estuprando a vítima, Deliomara afirmou que sentiu raiva, despejou álcool em cima dos dois e acendeu o fogo com um isqueiro, causando queimaduras em ambos.

Thiago conseguiu apagar o fogo e voltou a enforcar Julieta, que teria desmaiado mais uma vez, segundo a suspeita. Depois disso, ele saiu de casa, seguiu para um hospital da cidade para tratar das queimaduras e ordenou que a esposa enterrasse o corpo da artista, o que ela teria obedecido.

Já o homem, por sua vez, deu uma versão diferente no depoimento à Polícia. Ele negou as acusações de roubo, estupro e assassinato de Julieta. Na declaração, segundo o jornal, ele afirmou que na noite de 22 de dezembro estava usando álcool e drogas, e que Julieta havia se juntado a ele. Ao ver o marido com a artista, Deliomara teria despejado álcool e ateado fogo nos dois.

Depois disso, Thiago teria saído da casa para procurar atendimento médico no hospital municipal de Presidente Figueiredo, de onde foi transferido para Manaus, em virtude da gravidade das queimaduras.

O suspeito teve alta apenas no dia 28 de dezembro e, ao voltar para casa, teria ouvido da esposa que Julieta havia morrido e que a suspeita havia enterrado o corpo em uma cova rasa, em uma área de mata nos fundos da casa. Ele disse que ajudou a ocultar os pertences e a bicicleta que pertencia à venezuelana.

“O interrogatório dos dois suspeitos é conflitante, mas a versão da mulher parece ter mais sentido. As investigações seguem em andamento”, afirmou o delegado Valdinei Silva, titular da delegacia de Presidente Figueiredo responsável pela apuração do caso.

Thiago e Deliomara tiveram a prisão decretada na sexta-feira (5) por suspeita de homicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver. No sábado (6), ambos participaram da audiência de custódia e tiveram a prisão provisória convertida em preventiva.

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