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Home >> Economia >> Reindustrialização brasileira: as perspectivas para 2024

Reindustrialização brasileira: as perspectivas para 2024

A confederação Nacional da Indústria (CNI) antecipou uma expansão de 1,7% na economia brasileira para o ano de 2024; entenda

por

Bruna Correia

19 de dezembro de 2023

IG

industrializaçãoAgência Brasil

A reindustrialização foi uma das principais bandeiras da campanha eleitoral do atual governo, e permanece como um dos principais desafios da política econômica. Em 2022, último ano do governo Bolsonaro, o Brasil caiu de posição no ranking das maiores economias exportadoras: passou da 25ª posição para o 26º lugar, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC)

De acordo com Antônio Corrêa de Lacerda, economista e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o espaço ocupado pelo Brasil é “desproporcional ao seu peso”.

“Embora estejamos dentre as dez maiores economias do globo, temos uma posição de 26 como exportadores, denotando o espaço a ser percorrido”, argumenta Lacerda.

“A nova inserção internacional do Brasil é fundamental para a atração de investimentos externos de qualidade, assim como para ampliar as exportações de maior valor agregado. As viagens do presidente e comitiva governamental e de empresários tem sido muito importantes para isso, assim como as negociações bilaterais em curso”, continua o economista.

Antônio Corrêa de Lacerda acredita que a principal mudança na política econômica do governo está no papel do Estado, das estatais e dos bancos públicos na implementação de um projeto de desenvolvimento sustentável econômica e ambientalmente e inclusivo socialmente.

“O BNDES exerce função fundamental nesse projeto, voltando a desempenhar seu papel histórico após o apequenamento ocorrido no período 2016-2022”, diz a respeito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Na última semana, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) antecipou uma expansão de 1,7% na economia brasileira para o ano de 2024. Para 2023, a entidade projetou um crescimento de 3% no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente ao desempenho registrado no ano anterior.

“Este papel é crucial para a retomada dos investimentos na transição tecnológica, na neoindustrialização e na digitalização, mas isso não contrasta com o mercado de capitais e o setor privado, que são complementares entre si. O ambiente democrático e republicano é fundamental para a estabilidade das regras. Da mesma forma, a previsibilidade propiciada pelo novo arcabouço fiscal é parte do processo”, finaliza.

Ao longo do ano, a indústria nacional manteve uma oscilação entre resultados positivos e negativos, mantendo-se constantemente próxima da estabilidade, com exceção de março, período em que a produção registrou um crescimento de 1,1%.

O empresariado e o governo

Para Fellipe Bernardino, doutorando em Ciência Política na Universidade de São Paulo, é preciso ter em mente que as políticas para a industrialização promovidas pelo Partido dos Trabalhadores (PT) não respondem apenas a interesses circunscritos ao universo empresarial, mas a própria agenda social do partido.

“As políticas pela industrialização não são decididas de forma vertical. Por assim dizer, são políticas que decorrem de um diálogo do governo com um empresariado. Eu acho que isso é algo importante ser considerado. Hoje eu observo uma certa reaproximação do empresariado com o Partido dos Trabalhadores e com o próprio presidente Lula”, declara.

“Na década de 90 houve uma abertura econômica considerável, promovida pelo ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso. Já ali, podemos observar uma certa aproximação entre sindicalistas ligados ao PT e alguns setores da indústria que foram prejudicados por essa abertura”, defende.

“Existia, e ainda existe, a meu ver, um entendimento muito forte de importantes lideranças do PT de que o emprego Industrial é de maior qualidade do que aqueles oferecidos em outros setores da economia. E sem contar que a indústria é um segmento intensivo de trabalho então políticas industrializantes”, complementa.

Para o pesquisador, que estuda diretamente a relação do PT com o empresariado brasileiro, as políticas industriais petistas não aconteceram de forma imediata.

“Houve um certo gradualismo na decisão de alterar direito da política econômica. Até o começo de 2012 a política econômica do governo não rompeu com aquilo que se decidiu chamar de tripé macroeconômico, criado pelo governo do Fernando Henrique Cardoso”, pontua. Considerado chave para o bom andamento da economia brasileira. Além das metas para a Selic, o tripé precisa de câmbio flutuante e superavit primário para funcionar.

Bernardino acredita que é essencial um investimento estatal em infraestrutura para que a indústria brasileira consiga para se tornar competitiva no exterior. “Esses investimentos são o ponto central de qualquer projeto desenvolvimentista. A marca inconfundível do desenvolvimentismo é um investimento infraestrutura por orientação do Estado”, finaliza.

Na indústria de transformação e construção, as projeções de crescimento para 2024 são mais moderadas, com 0,3% e 0,7%, respectivamente. Apesar disso, essas taxas positivas representam uma recuperação em relação às quedas observadas no ano corrente. Estima-se que a indústria de transformação encerre 2023 com uma redução de 0,7%, enquanto a indústria da construção deve apresentar um recuo de 0,6%.

Logo na primeira semana de governo, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, defendeu que a reindustrialização da economia é essencial para a retomada do crescimento sustentável.

“A indústria é essencial. São essenciais os empregos que gera, os tributos que recolhe, a riqueza que distribui. Para cada real produzido pelo setor industrial a economia ganha algo em torno de R$ 2,43. O impacto positivo é percebido por todos os setores da economia”, declarou.

“A indústria responde por 29,35% da arrecadação tributária, ou seja, quase três vezes o seu peso na economia. O Brasil não pode prescindir da indústria se tiver ambições de alavancar o crescimento econômico e se desenvolver socialmente. Ou o país retoma a agenda do desenvolvimento industrial, ou não recuperará um caminho de crescimento sustentável, gerador de empregos e distribuidor de renda”, finaliza.

Ele enfatizou a urgência de promover a reversão da desindustrialização precoce no Brasil, observando que, apesar de corresponder a apenas 11% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, a indústria de transformação contribui com 69% de todo o investimento em pesquisa e desenvolvimento.

No primeiro semestre, o Brasil criou 1,023 milhão de postos de trabalho com carteira assinada, indicando uma queda de 26,25% em comparação ao período de janeiro a junho de 2022. No ano anterior, durante o mesmo período, foram geradas 1,388 milhão de vagas. Essas informações refletem o saldo líquido, ou seja, a diferença entre contratações e demissões, da geração de empregos formais. O grupo de pessoas ocupadas alcançou 100,2 milhões, representando o maior contingente desde o início da série histórica no primeiro trimestre de 2012.

Em outubro, Alckmin declarou que a taxa de câmbio acima de R$ 5 e a taxa de juros em queda vão beneficiar as exportações brasileiras, bem como a reforma tributária, se aprovada.

“A carga tributária é elevada, mas a reforma vai ajudar. O IVA (Imposto sobre Valor Agregado, que será criado na reforma, para substituir cinco tributos) vai desonerar investimentos e exportações”, afirmou Alckmin, em evento sobre o comércio exterior promovido pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), no Rio.

Em entrevista, Erick Souza, Diretor Comercial da Maximu´s, declarou que apesar de existir algum grau de incerteza com relação às políticas sobre a indústria em curso. “Continuamos confiantes e realizando investimentos para prepararmos nossa empresa para receber novas demandas”, defende.

“A reforma tributária ainda deve demorar para surtir efeito e ainda não representa redução na carga tributária. No entanto, já foi um passo importante para melhorar o ambiente de negócios no futuro. Encontrar o equilíbrio entre estímulo da economia e o controle de gastos será fundamental no futuro próximo para manter a confiança do mercado e os investimentos no Brasil, o que certamente poderá se refletir na indústria como um todo e refletindo no nosso setor”, defende.

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