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Home >> Economia >> O governo Lula 3 – primeiro ano

O governo Lula 3 – primeiro ano

De forma geral, o governo termina bem, mas existem muitas falhas a serem sanadas

por

Ivan Ribeiro

27 de dezembro de 2023

IG

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)Ricardo Stuckert / PR – 21.11.2023

Completando um ano, os caminhos do governo vão ficando mais claros. Este é um governo apoiado por uma frente democrática, que abrange da esquerda semi-dogmática até a direita supostamente civilizada.

Seu primeiro embate, com a primeira vitória, se deu quando ainda não havia tomado posse: garantir a própria posse. Foram vários movimentos no sentido de evitar qualquer quartelada, como era o desejo dos acampados em frente aos quarteis. Tivemos bloqueio de rodovias, marchas, cantos e toda sorte de artifícios, mas nada deles deu certo. Relembrando, o Golpe de 64 foi iniciado por um general fascista que comandava uma tropa de infantaria, que partiu de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro, obrigando as FA a assumir o feito.

Empossado, ao oitavo dia tivemos o segundo desafio: a tentativa de golpe, com as invasões da praça dos três poderes. O governo montado da Lei, rechaçou essa ameaça. E começou o processo legal de apuração das responsabilidades e punição dos culpados. As imagens da depredação do congresso e o STF são fortes. Mas as da fila dos ônibus levando os terroristas para o cárcere também são. Foi preciso muita decisão para comandar a tropa nessas circunstâncias.

Esse foi o episódio mais importante do ano. Permitiu ao governo fazer as mudanças necessárias no comando das Forças Armadas e no arranjo da segurança palaciana, redimensionado a ABIM e valorizando a PF.

Somado ao escândalo “dos Rolex” tirou qualquer protagonismo que a direita ainda pudesse almejar. E comprometeu aquele cujo nome não deve ser pronunciado em um processo que tem altas chances de levá-lo a prisão.

Foi a partir disso que o governo propriamente se inicia. A herança foi a terra arrasada, mas também um aparelho de Estado configurado para a destruição em massa de todo ser que pudesse se opor ou dificultar as práticas predatórias de uma parcela das elites, corroboradas pelo Estado.

Houve a rearticulação do controle ambiental, dos programas de atenção à saúde, especialmente os de vacinação, o Minha Casa, Minha Vida, além da atenção aos povos originários.

No campo econômico, o governo soube impor um novo conjunto de valores, que nem mesmo o conservadorismo do congresso conseguiu abater. O resultado está sintetizado na melhoria do rating do Brasil e na queda dos juros.

Os bons resultados nessas iniciativas permitiram ao governo retomar o protagonismo internacional, o que vem garantindo a retomada de investimentos no País.

A direita fascista não tem discurso para enfrentar a Frente Ampla, além do insólito “medo do comunismo” além do mantra “Lula é ladrão”, repetido a exaustão, sem nenhum argumento, a não ser a canalhice dos lavajatistas. Ou seja, sua base ou é refém do medo ou cúmplice na podridão.

O Governo segue aberto a todos, mesmo para aqueles que apoiaram o outro lado, buscando consolidar uma base social mais ampla. A ida Campos Neto (BC) ao churrasco de fim de ano na Granja do Torto marca essa política de abertura. Levado por Hadad, simboliza que pessoas que pensam diferente (e fizeram opções políticas distintas) podem trabalhar juntas pelo País. Não é fácil engolir o boyzinho de Ipanema, mas foi necessário.

Há vários movimentos em curso, como a discreta preparação de Rodrigo Pacheco para ser candidato de Lula ao governo de MG. Da mesma forma a reunião promovida pela Presidência com o governador de Alagoas, o prefeito de Maceió, o presidente da Câmara dos Deputados (Lira) e o senador Renan Calheiros foi um marco. Inimigos históricos, Renan e Lira não se suportam. Mas Lula os fez sentarem frente a frente para discutirem a emergência em Maceió.

A estratégia do presidente também é clara na escolha do ministro do STF. Nomeou seu fervoroso apoiador e atual ministro da Justiça, ao invés de aceitar as sugestões do partido, de nomear uma mulher negra. Deu a elas uma vaga no STM. No STF, vai montando um grupo que não tem medo da opinião pública e poderá defender a lei, da mesma maneira que Toffoli não fez na Lava Jato.

Para a direita fascista, comandada pelo ideólogo Valdemar Costa Neto, conhecido como Boy, a chance do sucesso depende da ex-primeira dama, substituta natural do marido, caso realmente esteja preso e cumprindo sentença em 2026. Relembrando a campanha de 2022, Michele falava para dentro do seu eleitorado, não trazendo eleitores novos. Frequentadora dos cultos neopentecostais da periferia de Brasília, mescla um discurso de ódio com a devoção a um deus sempre em guerra. Não conseguiu sequer manter uma imagem pessoal de equilíbrio e discernimento. Boy sabe que nas próximas eleições dificilmente fará uma bancada de deputados como a atual.

De forma geral, o governo termina bem, mas existem muitas falhas a serem sanadas, como o atendimento do SUS e do INSS, por exemplo.

O jogo está sendo jogado. Vamos ver os próximos movimentos.

Governo Lula Ivan Ribeiro

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