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Home >> Economia >> O desesperador desempenho econômico brasileiro

O desesperador desempenho econômico brasileiro

Sem melhorarmos a educação, dificilmente teremos aumentos sustentados de produtividade

por

João Ricardo Costa Filho

7 de dezembro de 2023

IG

Sem melhorarmos a educação, dificilmente teremos aumentos sustentados de produtividade FreePik

Na última terça-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados referentes ao Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2023 (e a revisão de alguns dados anteriores). Há, na minha visão, duas formas de interpretar o crescimento de 0,1% frente ao segundo trimestre anterior.

A primeira forma seria otimista: dado que muitos analistas consideravam uma queda de 0,2% como o provável desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre deste ano, não só o PIB continuou a expansão (ainda que maneira bem modesta), mas isso significa um crescimento 0,3 ponto percentual maior do que a média do mercado acreditava (uma diferença que, quando anualizada, representa 1,2 ponto percentual!). Ou seja, a desaceleração da economia, que já era amplamente esperada, está mais suave, com o mercado de trabalho seguindo firme a inflação convergindo para o seu nível de longo prazo (que pode ser acima da meta, tema para outro texto). Surpresa positiva, portanto.

Existe uma outra forma de avaliar os dados divulgados pelo IBGE, no entanto. Desde o final de 2019, o crescimento médio trimestral foi, em termos anualizados, em torno de 2%. Ou seja, ligeiramente abaixo dos 2,26% de crescimento médio trimestral anualizado que o Brasil registra desde o primeiro trimestre de 1996, início da série. Se o país fosse desenvolvido, seria natural esperar uma taxa de crescimento média nesse patamar. Para uma economia que ainda tem muito espaço para crescer e aproveitar diversas oportunidades não exploradas, o resultado decepciona, para dizer o mínimo.

O “tombo” foi feio durante a pandemia, a recuperação foi rápida, o país se levantou, mas a verdade é que continua com um desempenho ruim. Estou me referindo ao crescimento econômico, mas essa frase tranquilamente poderia ser utilizada para descrever o desempenho do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2022. A mesma terça-feira que trouxe os dados do PIB revelou que o nosso desempenho na área da educação continua sendo, em média, ainda mais sofrível do que o que conseguimos desempenhar na esfera do crescimento econômico.

Quando comparamos com a média dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a nota do Brasil não caiu muito no último relatório disponível do Pisa frente à edição anterior. Mas a verdade é que o desempenho já era tão ruim antes da pandemia que a queda ocorreu a partir de um nível baixo (ou seja, com menos espaço para piorar do que outras economias). Obviamente, houve um esforço hercúleo de professores e profissionais que trabalham em instituições de ensino públicas e privadas, junto às famílias, para ajudar a segurar o resultado. Sem isso, sem toda essa mobilização e esforço em condições adversas, teria sido muito, muito pior.

Em texto anterior nesta coluna, eu já abordei que a dificuldade em crescer na América Latina vem, fundamentalmente, da baixa produtividade. Sem melhorarmos a educação, dificilmente teremos aumentos sustentados de produtividade que garantam taxas de crescimento médias mais compatíveis com o estágio de desenvolvimento econômico no qual o Brasil se encontra. Adicionemos o fraco desempenho dos investimentos (que caíram não apenas no terceiro trimestre, mas que no período anterior já estavam em nível aquém do necessário), as práticas curto-prazistas por parte de empresas e, especialmente, dos gestores de política econômica, arranjos institucionais que privilegiam grupos de interesse e extraem renda da maior parte da população, o crônico imbróglio fiscale uma lista extensa de diversos outros problemas em todos os vetores que explicam a diferença da riqueza das nações no longo prazo, e fica difícil imaginar que o desempenho das próximas décadas será, em média, melhor do que o que registramos desde meados dos anos 1990, sem que mudanças significativas ocorram.

Custa-me, portanto, celebrar o desempenho do PIB quando sete em cada dez alunos no Brasil não conseguem mobilizar conhecimentos básicos de matemática. Nós temos décadas, gerações e recursos perdidos em escolhas sistematicamente erradas. Quem dera a última terça-feira tivesse mostrado a mediocridade dos nossos resultados. Estamos tão longe disso.

colunista desempenho econômico João Ricardo Costa Filho

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